Adolescentes esfaqueiam professora
Dois alunos, adolescentes, atacaram a golpes de faca uma professora em Caxias do Sul. O fato aconteceu no início da tarde de terça-feira (01) dentro da sala de aula da escola João de Zorzi, quando a professora dava aula de inglês. Ferida, a vítima foi socorrida pelo Samu e encaminhada ao hospital, onde permaneceu internada e diagnosticada com ferimentos leves e sem risco de vida. A motivação para o ato criminoso ainda é desconhecida, informou a polícia. No entanto, segundo noticiado, o vice-prefeito de Caxias do Sul, Edson Néspolo, afirmou que o caso pode ser uma retaliação, pois a mãe de um dos adolescentes agressores teria sido chamada pela direção da escola no dia anterior por mau comportamento do filho (aluno). “Acho que foi um pouco de retaliação, infelizmente contra uma professora que não tinha praticamente nada a ver com isso. Ele se vingou na primeira professora que encontrou”, teria dito o vice-prefeito.
Colapso da alteridade
Diferente dos tempos anteriores à era da informática, nos tempos atuais, ressalvadas as raras exceções, crianças e adolescentes ficam, silenciosamente, o tempo todo na tela alimentando ressentimentos. E, é nesse ambiente silencioso da internet que florescem as ideias de se opor às outras pessoas, cujos espaços virtuais prometem sentido, identidade e pertencimento, mas que, na prática, oferecem ódio, misoginia e paranoia. Jovens inseguros, solitários e desamparados encontram nesses espaços um simulacro de comunidade. Ali, segundo alguns psicanalistas, a figura de outras pessoas, principalmente a feminina, é construída como inimiga, e a violência como forma de redenção simbólica. Os pais não se dão conta que jovens meninos estão sendo recrutados, em tempo real, por ideias extremistas, para se tornarem defensores de teorias conspiratórias misóginas, racistas e outros desvios, como um contraponto ao fracasso que a sociedade lhe impõe. Enfim, um adolescente atravessado por fantasias de poder e controle, incapaz de reconhecer e respeitar as diferenças entre as pessoas. É o colapso da alteridade. O outro deixa de existir como sujeito e vira apenas obstáculo, ameaça, objeto a ser eliminado.
O silêncio dos adultos
Ainda, segundo psicanalistas, jovens viciados na internet não têm linguagem para o que sentem, não têm palavras para suas angústias. Então agem. E muitas vezes agem de forma destrutiva, porque não foram ensinados a esperar, a elaborar, a escutar. A internet, nesse cenário, funciona como um acelerador do colapso simbólico, alimenta a desinformação e cria realidades paralelas, inconsequentes e sem limites. A violência, nesse contexto, não é apenas um ato bárbaro — é também uma tentativa desesperada de significar algo, de se fazer ouvir, mesmo que seja pelo pior caminho.
Os adultos, com raras exceções, estão perdendo a capacidade de escutar. Reagem, enquadram, disciplinam, mas não escutam. Sem escuta, não há laço. E sem laço, o sujeito se desfaz — ou se radicaliza.
Na ausência de adultos que sustentem o lugar da escuta e do limite simbólico, os jovens buscam referências nos lugares mais perigosos.
Emendas impositivas
Defensores das emendas impositivas de vereadores dizem que elas são uma importante ferramenta de gestão pública e ajudam a melhorar a alocação de recursos e aumentar a participação popular na definição das prioridades orçamentárias. Podem até ser. Mas, convenhamos: não é papel do parlamento. O vereador deve cuidar de legislar. A execução orçamentária tem que ser feita pelo Executivo e não por quem legisla. Essa invasão ao poder executivo pode trazer consequências graves. Essa interferência, além de comprometer a autonomia e capacidade de gestão do poder executivo, pode levar à paralisação de projetos e políticas, à desorganização da administração pública. E mais, a invasão ao poder executivo pode gerar um ambiente de instabilidade política, onde decisões importantes são atrasadas ou comprometidas.
Competências do vereador
Uma das principais competências do vereador é a criação de leis municipais. Isso inclui proposição, discussão, modificação de projetos de lei. Além disso, ao edil compete: fiscalizar o Poder Executivo, garantindo que as ações e despesas da prefeitura estejam de acordo com a legislação e sejam realizadas de forma transparente e eficiente; representar diretamente a população, ouvir as demandas, sugestões e reclamações dos cidadãos; intermediar conflitos entre os munícipes e a prefeitura sobre serviços públicos; analisar, discutir e aprovar o orçamento anual do município, monitorar e fiscalizar a execução dos gastos; elaborar e implementar políticas públicas; informar à população sobre suas ações, projetos e decisões, utilizando redes sociais, sites oficiais, boletins informativos e outros.
Aliás
Esclareça-se que as Emendas Individuais e de Bancadas, também chamadas “Emendas Impositivas”, são previstas pela Constituição Federal, e abrangem as três esferas: federal, estadual e municipal, no limite de até 2% da receita corrente líquida do ente federado. Portanto, os vereadores não cometem ilegalidade ao usarem Emendas Impositivas, desde que obedecidas as regras estabelecidas. E quanto ao(a) prefeito(a), é obrigado(a) a cumprir, desde que a emenda esteja tecnicamente bem elaborada. Essa foi uma brecha aberta pela Emenda Constitucional 86/2015, e alterada pela EC 126/2022, permitindo a invasão do legislativo no poder executivo.
Embriaguez ao volante
A embriaguez ao volante é uma das principais causas de acidentes de trânsito. Conduzir sob o efeito do álcool é uma escolha muito perigosa e irresponsável, aumenta significativamente o risco de colisões, ferimentos graves e mortes. Essa prática irresponsável não só coloca em risco a vida do condutor, mas também a de passageiros, pedestres e outros motoristas. Tem um dizer popular que é muito pertinente e deveria ser lembrado por quem pensa em pegar no volante: “Se for dirigir, não beba” e, “se beber, não dirija”. Até porque todo motorista deve ter em mente que o álcool afeta negativamente várias funções do corpo e da mente, essenciais para uma condução segura, eis que reduz os reflexos; compromete a coordenação entre mãos, olhos e pés; a visão fica turva ou dupla; e, compromete sobremaneira o raciocínio, porque o álcool afeta a capacidade de tomar decisões racionais, levando a comportamentos arriscados e imprudentes. Pense nisso.
A propósito
Na noite de segunda-feira (30), na RS-155, localidade de Pedro Paiva, em Santo Augusto, ocorreu um grave acidente de trânsito, com resultado morte, envolvendo três veículos. Na ocasião, o motorista de um automóvel gol colidiu na traseira de um caminhão. Ao teste do bafômetro, foi constatado que o condutor do Gol dirigia embriagado.
Governo rompe o silêncio
Quanto a situação crítica e em risco de colapso da ponte sobre o Rio Uruguai, na BR-386, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, em Iraí, e o silêncio do governo federal a respeito, enfocada pela coluna na edição anterior, finalmente, o governo rompeu o silêncio.
O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Hiratan Pinheiro da Silva, atendendo questionamentos da ACI de Iraí e lideranças associativas da região, esclareceu que a ponte é monitorada regularmente pelo Denit, e não apresenta nenhum problema estrutural grave que coloque em risco de qualquer interdição ou bloqueio na travessia que liga os dois estados. Hiratan também antecipou que será licitado, ainda no primeiro semestre deste ano, o projeto de revitalização da ponte, aproveitando a atual estrutura, com a ampliação das laterais com acostamento de dois metros de largura de cada lado, além de obras de embelezamento.
Portanto, as informações do Dnit trazem tranquilidade à população regional, além de noticiar que a ponte receberá investimentos, de grande importância ao turismo e à economia regional, disse o presidente da ACI de Iraí, Marco Antônio Scheffer.
RADAR
Na edição da semana passada abordei aqui na coluna o descaso do governo Eduardo Leite em relação ao asfaltamento de 18 km de acesso a São Valério do Sul. Leite cometeu a proeza de assinar ordem de serviço para asfaltar tão somente 1,35 km, e, pasmem, sem projeto. Nesta quarta-feira (2), li uma postagem do Observador Regional, onde discorre amplamente o descaso do governo Leite com a ponte que liga Campo Novo e Braga, projetada, veja bem a incompetência, “sem os aterros”, e lá permanece abandonada. É muito pertinente a matéria, acesse e leia.